Um mundo sem Maria Bethânia? Não, eu não poderia viver num mundo assim


— É. Maria Bethânia.

— Ah. Ela é famosa? 

Assim começa a coluna da jornalista Cora Rónai, em O Globo. Ela conversava com o motorista do carro de aplicativo que iria levá-la a uma casa de espetáculos aqui no Rio. 

O motorista perguntou se ela iria assistir a um show e de quem e ela respondeu como acima.

E estranhou, como eu também, ao perceber que o motorista não conhecia Bethânia, a ponto de perguntar se Bethânia era famosa.

Mais ainda. No decorrer da conversa, ela percebeu que o jovem não apenas não conhecia Bethânia como nenhuma de suas canções. E Bethânia faz sucesso há mais de 60 anos.

Era como se o nome dela tivesse sido apagado de sua história, ou até, jamais tivesse sido inscrito nela. 

Imediatamente me veio à cabeça um filme, "Yesterday", não sei se vocês conhecem. É recente, de poucos anos atrás, e conta a história de um jovem músico, cantor e compositor, em busca do reconhecimento de seu trabalho, enquanto toca em bares e clubes, sem sucesso.

Um dia, sofre um acidente, fica internado um tempo e, quando se recupera, leva um susto semelhante ao meu e de Cora com o desconhecimento do motorista de aplicativo.

Narro: O músico estava entre amigos e cantou uma canção dos Beatles, de que não me recordo agora, e ao final todos o elogiaram e parabenizaram pela composição. Acharam que a música havia sido composta por ele.

Ele pensou logicamente que os amigos estivessem brincando com ele. Depois, espantado, percebeu que não.

Chegou em casa e foi ao computador para descobrir, surpreso, após digitar "Beatles" na caixa de pesquisa do buscador, que os Beatles e suas músicas não existiam. Era como se tivessem, como a Bethânia para o motorista, sido apagados do registro da rede mundial de computadores.

Não vou falar mais sobre o filme para não dar spoiler e atrapalhar o prazer de quem pretende assisti-lo, já que ele se encontra em algum canal de streaming.

Mas a solidão de um mundo em que ninguém conhecesse os Beatles para trocar ideias seria também a de um mundo  sem Bethânia, que faz parte da história de minha vida e da de grande parte de meus amigos.

O ser humano é gregário. Desde sempre gosta de se reunir em torno de fogueiras ou de mesas de bar para falar da vida, dos filmes e shows que assistiu.

Há até uma piada que reforça isso. A de um homem solitário numa ilha, um Robinson Crusoé sem Sexta-feira (vocês já ouviram falar na história de Robinson Crusoé, né?), até que um dia, friccionando uma garrafa, vê um gênio que surge à sua frente e lhe oferece três desejos, como é usual nos gênios de garrafa (vocês também já ouviram falar nisso, espero).

Ele pede alguma coisa, de que também não me recordo, talvez comida e bebida, como primeiro desejo. Uma mulher muito linda e famosa, como segundo. E no terceiro ele pede, por exemplo, Alfredo. O gênio se espanta, sem entender quem ou o que seria Alfredo. O homem revela que é seu melhor amigo e explica:

— De que adianta eu estar com a (nome da mulher famosa — não quero citar um, vai que você não conheça) se não puder contar para o Alfredo? — ele diz.
É uma piada bobinha, mas reflete a importância de ter um interlocutor, alguém com quem a gente possa compartilhar experiências de quem vive no mesmo planeta, no mesmo tempo.

Mas como seria viver no mesmo mundo de quem não conhece nem nunca ouviu falar de Bethânia, nunca a ouviu cantar nenhum de seus inúmeros sucessos, nunca a ouviu declamar os poemas que intercalava em seus shows, nunca a ouviu declamar Fernando Pessoa.

Não é a pessoa física de Bethânia, se me entendem. Também é, com sua alegria, com seu gosto de bater papo regado a cerveja. Mas é mais. É toda a obra, o entorno, as vivências, que me acompanham desde sempre.

Não, eu não poderia viver num mundo sem Maria Bethânia. E você?

 

 

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Caso Master. Quem acompanha pela mídia acha que Toffoli é o culpado pelo rombo bilionário

Quem acompanha o chamado "Caso Master", o maior roubo da história do mercado financeiro brasileiro, pela cobertura da mídia tradicional tem a certeza de que ele é algo que aconteceu num resort no Paraná de nome esdrúxulo, Tayayá, passa por una viagem de jatinho de torcedores palmeirenses derrotados ao Peru, tudo isso explodindo no colo do ministro do STF, que é também o relator do caso, Dias Toffoli.

Embora não haja um crime de que seja acusado diretamente, Toffoli está envolvido em uma série de suspeitas, sem nenhuma prova, mas muita convicção, como nos casos tristemente famosos da Lava Jato.  

Os "crimes" são:

  • ter viajado no mesmo voo que um dos advogados de um dos vários diretores do Master 
  • frequentar um resort no Paraná, que pertenceu a seus irmãos, teve grande parte vendido em 2021 e o restante em fevereiro do ano passado, muito antes da liquidação do Master.

Toffoli no Globo

Ontem, a jornalista de O Globo Thaís Oyama chegou a insinuar que o ministro Toffoli poderia ser agredido se saísse às ruas do Brasil.

Já no primeiro parágrafo de seus ataques ao ministro, ela ironiza a ida da Toffoli a um resort na Argentina e sugere dois motivos para não fazê-lo no Brasil:

  1. ele gosta muito de resorts e se interessa também por conhecer estabelecimentos do gênero mundo afora; 
  2. ele buscou um refúgio fora do país para se proteger da vista de seus conterrâneos, dado que seu nome aparece no noticiário dia sim e outro também, cada vez sob luz pior. 

Na mosca: o nome de Toffoli realmente "aparece no noticiário dia sim e outro também, cada vez sob luz pior", e  coluna de Oyama veio acrescentar mais uma série de ilações sem provas, com com muita convicção, ao apedrejamento diário do ministro.

O dono do banco Master, Daniel Vorcaro, seu cunhado Zettel, o pastor Valadão da Igreja Lagoinha, o governador de Brasília, Ibaneis Rocha, o senador Ciro Nogueira, que tentou emplacar uma emenda que  favorecia ao banco a ponto de ficar conhecida como "emenda Master", nenhum desses é citado na coluna de Oyama.

E também o crime, ou os crimes de que Toffoli é acusado, nada disso contém a matéria. Qual a ligação do ministro com o rombo bilionário, que já chega a R$ 50 bilhões, não é dito.

Mas há as suspeitas contra ele, semelhantes à visita de Lula e dona Marisa ao triplex do Guarujá, ou ao barquinho de lata e os cisnes do sítio de Atibaia.  Tudo aparentemente do Lula. Só que não.

A ligação do ministro é porque ele tem irmãos que foram donos do resort paranaense, que foi frequentado por Toffoli, mesmo após os irmãos terem vendido boa parte em 2021, e parece que mesmo depois de terem liquidado o resto em fevereiro de 2025.

Ah, mas a cota de 2021 foi vendida a um fundo, Arleen, que era ligado a outro fundo e outro, e tinha a Reag, um verdadeiro polvo, ligada ao Master. 

Como ligada ao Master, e essa sim diretamente, é a Will Bank, fintech pertencente ao Master, cujo garoto propaganda era Luciano Huck, e que investiu mais de R$ 150 milhões na Globo, mesmo quando o Master já estavam cheirando mal no mercado financeiro. 

Vão suspeitar de Huck e da Globo, Oyama?

Se lesse ao menos o G1, do grupo Globo onde trabalha, Oyama saberia que:

"O fundo Arleen não é investigado pela Carbono Oculto e também não é citado nas investigações sobre o Banco Master." [G1]

Os "crimes" de Toffoli

Mas o ministro "cometeu os crimes" de ser irmão de donos do resort, ter frequentado o resort e até ter sido fotografado recebendo o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, e o ex-senador Luis Pastore, que também era dono do jatinho que levou Toffoli e os palmeirenses à final das Libertadores. E daí? Qual o crime?

No seu ataque ao ministro, Oyama escreve adiante:

A possibilidade de frequentar espaços públicos sem constrangimentos sempre foi marcador da honra — conceito que Aristóteles trata como “bem externo”. Diferentemente da virtude — um “bem interno”, que alguém tem ou não tem —, a honra é um conceito atribuído, resultado da percepção social, fundamentada ou não, de que seu portador é dotado de excelência moral e intelectual.

Do mesmo modo, a desonra significa a perda dessa percepção. Para revertê-la, o atingido tem de erguer a voz para se defender com argumentos convincentes. Como nem Toffoli nem Moraes fizeram isso até agora, a desonra, como percepção pública, continuará a persegui-los à medida que avançarem as suspeitas sobre suas condutas. Mas, se Toffoli sempre terá um resort novo para se refugiar e Moraes pode continuar voando em jatos da FAB, o STF não tem onde se esconder.

Talvez se a mídia mirasse o olhar para os verdadeiros criminosos do Master e deixassem o ministro concluir seu trabalho, o STF talvez não sofresse com a lama lançada contra Toffoli, que respinga das matérias dos jornais e telejornais.

Caso Master, o que é preciso saber

Afinal, o brasileiro quer saber como Daniel Vorcaro, um empresário fracassado, mas de família rica de Minas, ligado à igreja evangélica de Lagoinhas do pastor Valadão, junto com seu cunhado pastor da mesma igreja Fabiano Zettel, conseguiram em poucos anos dar um banho de R$ 50 bilhões no mercado brasileiro. 

Aqui está a verdadeira lama, semelhante a outras duas, que também vieram de Minas, as dos rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho, de onde nenhum alto dirigente da Vale foi para a cadeia, onde deveriam estar pelos crimes cometidos.

O Master pode ir pelo mesmo caminho, se depender da mídia camarada do mercado financeiro.

Toffoli condenado ao Master

O nome do ministro Toffoli foi ligado ao caso Master, primeiro por um acaso: como surgiu na investigação da 1ª instância o nome de um deputado, João Carlos Bacelar (PL-BA) , o caso teve que subir para o STF, onde Toffoli foi o ministro sorteado.

Como até o momento não surgiu nada contra o deputado, nem surgiu o nome de outro parlamentar (nem o do senador Ciro Nogueira), o caso pode votar para a 1ª instância,

Aí a mídia vai manchetar que Toffoli não resistiu à pressão e desistiu do caso.

Não há crimes no andar de cima, desde que aposentaram os mordomos, eternos culpados.




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"Atendimento médico é loteria com chance maior de você perder", diz médica e professora da USP

A doutora Ludhmila Hajjar é médica cardiologista, intensivista e professora de Medicina da USP de Emergências Médicas. Em entrevista à jornalista Natuza Nery, ela afirma aquilo que nós, pacientes, sentimos na pele diariamente nos atendimentos médicos em geral: a formação médica no Brasil está um horror.

Num trecho da entrevista, a doutora Ludmila, em resposta a uma reflexão da jornalista de que o atendimento médico hoje estaria uma loteria, vai além: "Eu diria que é uma loteria com a chance maior de você perder"

São médicos que não sabem o básico da prática profissional e são lançados ao mercado.

Confira:


Avaliação dos cursos de Medicina pelo MEC

Os últimos números da avaliação do MEC sobre a qualidade de ensino das faculdades de Medicina do país mostram aquilo que a denúncia da doutora Ludhnila diagnostica: um terço deles estão muito abaixo da média, com conceitos 1 e 2, em 5:

O Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Saúde (MS) divulgaram, nesta segunda-feira, 19 de janeiro, a análise dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025. O Enamed é a modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de medicina e permite o aproveitamento de seus resultados nos processos seletivos de programas de residência médica. Os resultados apresentados referem-se aos 351 cursos de medicina que participaram do Enamed 2025. Desses, 304 pertencem ao Sistema Federal de Ensino, que inclui as instituições públicas federais e as instituições privadas.

De acordo com a análise, dos 304 cursos de medicina de instituições de educação superior públicas federais e privadas que participaram do Enamed, 204 (67,1%) alcançaram conceito 3 a 5 do Enade, considerados satisfatórios. Outros 99 cursos (32%) obtiveram conceito Enade nas faixas 1 e 2 — menos de 60% dos seus estudantes apresentaram desempenho considerado adequado no Enamed — e passarão por ações de supervisão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) do MEC.[Gov]

CFM quer impedir que médicos mal avaliados atendam

A situação chegou a um ponto que até o bolsonarista Conselho Federal de Medicina, aquele que defendeu independência médica para receitar kit Covid e cloroquina com ivermectina, quer impedir que 13 mil alunos mal avaliados possam atender à população. 

É o que diz José Hiran Gallo, presidente do CFM. 

"Já encaminhamos para o jurídico uma proposta de resolução para que esses alunos prestes a se formarem e que tiveram o desempenho 1 e 2 não consigam o registro. Eu acho que é muito tenebroso colocar pessoas que não têm qualificação para atender."

O Conselho informou também pediu que o Ministério da Educação forneça os dados detalhados dos alunos para que possam ter acesso à lista de nomes e desempenho.

 

O CFM pode impedir o médico de ter o registro?

Pela lei vigente, não. Todo estudante de medicina ao concluir o curso tem o direito de receber o registro profissional automaticamente sem qualquer avaliação prévia.

Segundo a advogada especialista em direito médico, Samantha Takahashi, o CFM não poderia criar uma resolução com regra própria que se sobreponha a lei.

Ela explica que a regulamentação exige o diploma de conclusão de curso de Medicina expedido por Instituição de Ensino Superior, registrada no Ministério da Educação, e que não há brecha que permita que o Conselho inclua novas condições. [G1] 

É caso de alterar a lei, o que seria possível caso nosso Congresso não estivesse mais preocupado em livrar da cadeia o criminoso ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentar um golpe de Estado em que estavam previstos os assassinatos do presidente eleito, seu vice e do presidente do TSE à época, respectivamente Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes.



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Aroeira e a IA de Trump e o pinguim postada pela Casa Branca



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Vasco Gargalo e a nova roupa da Estátua da Liberdade



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Mídia e mercado já escolheram com quem vão enfrentar Lula. E não é com Flávio Bolsonaro

Embora diga que foi ungido pelo pai e tenha razoável desempenho nas pesquisas recentes, após assumir a pré-candidatura à presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro não empolga a direita —  exceto a bolsonarista —  e parece fazer a alegria da esquerda, que o vê como o candidato mais fácil de ser derrotado por Lula.

Parece que é o que pensam aqueles que pensam — todos os que não estão enquadrados na bolha bolsonarista...

Se Flávio não consegue animar nem o pastor Malafaia, como pretende vencer Lula?

É o que pensam mercado e mídia, que desde sempre têm um candidato preferido — o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas — e agora parecem convencidos de que a chapa para ser vencedora deve ter a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como vice.

Michelle soma na chapa com Tarcísio por ser mulher — embora o estado governado por Tarcísio seja o líder em feminicídios — , por ser evangélica, mas, principalmente, por ser Bolsonaro.

Não é que mídia e mercado achem que Tarcísio de Freitas é grande coisa. Ele faz um péssimo governo em São Paulo, e só não é mais mal avaliado porque a mídia passa pano para sua incompetência e arrogância e seu servilismo a Bolsonaro e a Trump.

Já imaginaram o Brasil sob Tarcísio quando houve o tarifaço de Trump? Ele entregaria até as calças, imagine terras raras e Amazônia. Tudo apenas para ouvir de Trump que ele é um "nice guy"...

O que mercado e mídia querem de Tarcísio

O que mercado e mídia querem de Tarcísio é aquilo que ele pode performar melhor: privatizações. Como ele vibrou ao bater o martelo da venda da Sabesp! Uma, duas, três...várias vezes, até quase quebrar o martelo.

Não importa que a conta de água tenha subido, São Paulo tenha ficado sem água durante as festas de Natal e Ano Novo, e muitas pessoas recebam apenas água suja quando a recebem. Para mídia e mercado isso não é problema (Telejornal da Globo chegou a dizer que o aumento na conta de água em São Paulo poderia ser benéfico, já que diminuiria o consumo e sobraria mais água nos reservatórios quase secos).

O que importa é que Tarcísio privatizou com gozo. E terá maior prazer ainda em fazer o que mercado e — seu porta-voz — mídia mais querem: privatizar Banco do Brasil, Caixa Econômica e a joia da coroa — Petrobras.

Não importa que isso venha incendiar o país. Tarcísio vai fazer valer sua formação de militar e experiência no massacre de Cité Soleil no Haiti para mandar baixar o sarrafo nos manifestantes e fazer viger até uma GLO, ou um estado de sítio, ou mesmo um golpe de Estado, que Bolsonaro tentou, mas não concluiu.

Para isso eles confiam no Tarcísio.

Mídia, mercado e Flávio Bolsonaro...

Como mídia — Rede Globo, O Globo, Estadão, Folha — vão defender um candidato, que eles mesmos denunciaram em suas páginas e edições como o Flávio Rachadinha, associado a milicianos e assassinos, com repercussão internacional?

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MP denuncia Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz por esquema da ‘rachadinha’ na Alerj 

O Ministério Público do Rio acusa Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e outros 15 investigados de participar do esquema de corrupção conhecido como ‘rachadinha’, em que o parlamentar fica com parte dos salários dos funcionários.

O jornal O Globo revelou nesta quarta-feira (4) que uma antiga assessora de Flávio confessou aos promotores a prática da ‘rachadinha’.

A reportagem revelou o depoimento que Luiza Sousa Paes deu ao Ministério Público em setembro. Ela admitiu que nunca atuou como funcionária de Flávio Bolsonaro e contou que era obrigada a devolver mais de 90% do salário. 

As investigações começaram em 2018 depois que um relatório do Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, identificou movimentações suspeitas na conta bancária de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, quando Flávio era deputado estadual. Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.  [Jornal Nacional, 4/11/2020]

'Rachadinha' aumentou patrimônio de Flávio Bolsonaro em R$ 1 milhão, diz Promotoria

O patrimônio ilícito acumulado pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) entre 2010 e 2014 por meio da "rachadinha" somou quase R$ 1 milhão, afirma o Ministério Público do Rio de Janeiro.

O valor consta na denúncia apresentada na última semana ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio contra o filho do presidente Jair Bolsonaro e se refere à diferença entre as despesas da família do senador e a renda declarada pelo casal no período.

O MP-RJ identificou que o casal não teria como explicar gastos que somam R$ 977,6 mil no intervalo de cinco anos. Boa parte deles foi feito por meio de pagamento em dinheiro vivo ou a partir das contas do casal após serem abastecidas por depósitos em espécie. [Folha, 8/11/2020]

Organização criminosa, peculato por 1.803 vezes e 263 atos de lavagem: veja todas as imputações a Flávio Bolsonaro, Queiroz e mais 15 pelas 'rachadinhas' na Alerj

Após dois anos de apurações marcados por quebras de sigilo, diversas diligências e uma prisão emblemática, o Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou denúncia contra o senador Flávio Bolsonaro, o assessor parlamentar Fabrício Queiroz e outras 15 pessoas, descrevendo 1.803 crimes de peculato e 263 atos de lavagem de dinheiro envolvendo o esquema de 'rachadinha' instalado no ex-gabinete do filho '01' do presidente na Assembleia Legislativa fluminense. A promotoria detalha a estrutura da organização criminosa que Flávio é acusado de liderar e frisa que as investigações não cessaram, podendo chegar a outros crimes e envolvidos.

Na peça de 290 páginas apresentada ao desembargador Milton Fernandes de Souza - que se tornou relator do caso Queiroz no órgão especial do Tribunal de Justiça fluminense após uma série de recursos apresentados pela defesa do senador para prorrogar o direito ao foro privilegiado - a Procuradoria aponta que a organização criminosa comandada por Flávio Bolsonaro, desviou R$ 6.100.091,52 dos cofres da Assembleia Legislativa do Rio, mediante desvio de pagamentos em favor de doze 'funcionários fantasmas'.

Dos valores desviados, ainda segundo o MPRJ, R$ 2.079.149,52 foram comprovadamente repassados' para a conta bancária de Fabrício Queiroz, o faz-tudo da família Bolsonaro e apontado como operador financeiro do esquema das 'rachadinhas'. Já R$ 2.154.413,45 foram disponibilizados à organização criminosa mediante saques elevados de dinheiro em espécie 'na boca do caixa'.

A participação dos denunciados, por sua vez, é dividida em três núcleos na acusação: político, operacional e executivo. O primeiro tem como figura única Flávio Bolsonaro, suposto líder da organização criminosa com poderes para nomear e manter pessoas em cargos de comissão em troca do repasse de parte dos salários dos mesmos. [Estadão, 11/11/2020]

Denúncia contra Flávio Bolsonaro aponta que miliciano Adriano era parte do esquema de 'rachadinha'

A denúncia do Ministério Público contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) afirma que o miliciano Adriano da Nóbrega também era parte do esquema da "rachadinhas" na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), como mostrou o Jornal Nacional nesta sexta-feira (6).

Segundo a investigação, em 2007, o então deputado estadual Flávio Bolsonaro nomeou Danielle Mendonça da Costa, mulher do ex-policial militar Adriano, assessora parlamentar. Naquele mesmo ano, Flávio contratou – também como assessor parlamentar – Fabrício Queiroz, que está em prisão domiciliar e é apontado como o operador do esquema.

Acusado de comandar um grupo de extermínio e de ter ligação com a milícia no Rio, Adriano foi morto na Bahia em fevereiro deste ano, em troca de tiros com a polícia. [G1, Globo, 6/11/2020]




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Fontes de Malu Gaspar implicam diretor do BC no caso Master. Ele nega

A Denúncia de Malu Gaspar: O elo Banco Central, Master e BRB

As fontes transbordantes da jornalista de O Globo Malu Gaspar, que foram secando nos ataques ao ministro Alexandre de Moraes, agora partem para cima de um diretor do Banco Central. A informação é categórica, direta e fulminante já no título:

"Diretor do BC pediu a presidente do BRB que comprasse carteiras fraudadas do Master"

Segundo a jornalista, três fontes (contra Moraes foram seis), não apenas informaram, viram o diretor do Banco Central Ailton Aquino pedir ao Banco de Brasília que comprasse carteiras furadas do Master.

De acordo com fontes e documentos obtidos pela equipe da coluna, Aquino enviou mensagens ao então presidente do banco estatal de Brasília, Paulo Henrique Costa, pedindo que adquirisse os créditos para ajudar o Master a resolver seus problemas de liquidez.

Em pelo menos uma vez, as mensagens de Aquino a Ailton foram apresentadas aos conselheiros do BRB. Foi durante a reunião do conselho de 25 de março de 2025, que também aprovou a oferta de compra de 58% das ações do Master por R$ 2 bilhões.

Na reunião, os conselheiros sugeriam suspender as compras de Master que vinham fazendo, quando teriam sido interrompidos pelo presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que teria mostrado aos presentes mensagens de WhatsApp em que o diretor do BC Ailton Aquino "pedia a Costa para comprar mais R$ 300 milhões de créditos do Master. O presidente do BRB, porém, disse que só teria R$ 270 milhões disponíveis". 

Diretor do BC contesta Malu Gaspar

O diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, negou veementemente o que está afirmado na coluna de Malu Gaspar e mais, colocou à disposição do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) as suas informações bancárias, fiscais e os registros de conversas que realizou com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. 

O Banco Central emitiu uma nota, também em resposta à coluna da jornalista, onde afirma que Aquino foi "responsável pela identificação de inconsistências nas referidas operações, tendo, de imediato, promovido rigorosas investigações, que levaram à demonstração da insubsistência dos ativos integrantes de tais carteiras".

Também a área de Aquino que informou ao Ministério Público das inconsistências descobertas. Por fim, a nota confirma a abertura do sigilo do diretor Ailton Aquino.

Confira a íntegra da nota do BC:

Nota do Banco Central

A propósito de notícias relacionadas a cessões de carteiras de crédito do Banco Master para o BRB, o Banco Central informa que, sob o comando do Diretor Ailton de Aquino Santos, a área de Supervisão da Autarquia foi responsável pela identificação de inconsistências nas referidas operações, tendo, de imediato, promovido rigorosas investigações, que levaram à demonstração da insubsistência dos ativos integrantes de tais carteiras.

Foi igualmente da área chefiada pelo Diretor Ailton de Aquino a iniciativa de promover a comunicação dos ilícitos criminais ao Ministério Público Federal, acompanhada de documentação comprobatória e criteriosas análises técnicas. Na sequência, com o objetivo de prevenir a prática de novas operações com impactos sobre a liquidez do BRB, a área de Supervisão, sob orientação do mesmo Diretor, aplicou medida prudencial preventiva ao BRB, sendo do próprio Diretor, por fim, a iniciativa de submeter à Diretoria Colegiada do Banco Central a proposta de liquidação extrajudicial das instituições do Conglomerado Master, em razão, inclusive, dos ilícitos nelas perpetrados.

Portanto, o Diretor Ailton de Aquino afirma que, obviamente, jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas.

O Banco Central tem a obrigação legal de acompanhar permanentemente as condições de liquidez, inclusive aquisições de ativos entre instituições financeiras, visando a assegurar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e resguardar os interesses dos depositantes, investidores e demais credores. No exercício desse mandato, a área de Supervisão do Banco Central, na forma da legislação em vigor, rotineiramente monitora riscos e busca soluções para eventuais problemas de liquidez que venham a ser identificados em toda e qualquer instituição financeira.

Compete a cada instituição financeira, conforme a legislação em vigor, a exclusiva e integral responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos que adquire em mercado, devendo manter os procedimentos e controles internos necessários para o adequado gerenciamento dos riscos de seus negócios.

Por fim, imbuído de seu compromisso com a transparência e cioso de suas responsabilidades como servidor público e como cidadão, o Diretor Ailton de Aquino coloca à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal suas informações bancárias, fiscais e dos registros das conversas que realizou com o ex-Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando, para essa finalidade, ao sigilo sobre elas incidente.



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