Ex-presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira foi praticamente imperador do Brasil, o Rei do Centrão, durante o governo Bolsonaro. O criminoso ex-presidente, devidamente sentenciado e encarcerado, entregou as chaves do cofre para Lira com a condição de que ele não recebesse nenhum dos mais de 200 processos de impeachment propostos contra ele.
Até outro dia, no governo do presidente Lula, Lira mantinha-se, como sempre, um ferrenho opositor. Ganhou de seu pupilo, o atual presidente da Câmara Hugo Motta, que lhe deve em grande parte o cargo, a relatoria do projeto mais popular do governo Lula, o da isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Ainda assim, mantinha-se na oposição.
Mas ontem, surpreendendo o mundo político, Arthur Lira levantou a bola da reeleição de Lula a um quarto mandato presidencial. Foi durante o evento do anúncio da promulgação da lei que alterou a cobrança de imposto de renda no país:
Ao falar sobre a possibilidade de alterar também a tributação sobre lucros e dividendos, algo que não foi ajustado para um formato mais coerente e justo na lei que estava sendo sancionada, inclusive mencionada minutos antes pelo próprio presidente Lula, Lira então disse que futuramente tal questão poderia ser analisada, sem pressa, e rogou um novo mandato ao petista.
“O problema, do tamanho e do impacto, a gente teria que trabalhar, presidente Lula, num outro momento, com mais calma, talvez até no próximo mandato que vossa excelência possa concorrer”, disse Lira, com sorriso maroto e sendo aplaudido pelo auditório lotado do Palácio do Planalto.
Os bolsonaristas não o perdoaram e foram ao ataque. Foi acusado de traição a Bolsonaro, logo no primeiro dia do cumprimento da sentença definitiva do criminoso, de 27 anos e três meses. Mas será isso mesmo?
A política e as nuvens
Um antigo político mineiro, Magalhães Pinto, que foi governador de Minas, deputado federal e dono de banco, é autor de frase célebre frase que diz que "a política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela está de outro".
E o vento empurrou a nuvem de Arthur Lira de lugar. Recente pesquisa Real Time Big Data ao senado em Alagoas coloca Lira fora do Congresso em 2026.
O senador e arqui-inimigo de Lira Renan Calheiros lidera com 26 pontos. Lira está num modestíssimo quarto lugar, com apenas 13. Como são dois os eleitos, Lira estaria fora.
Já a situação do presidente Lula é oposta. Segundo pesquisa presidencial em Alagoas, Lula pode vencer no primeiro turno.
Isso explica a súbita mudança de comportamento de Lira.
— É a política, estúpido — parafraseando o marqueteiro de Clinton, James Carville.
Lira percebeu que se mantivesse oposição a Lula, ficaria de fora, perderia cargo e a imunidade parlamentar. E deixaria cair da nova nuvem uma chuva de processos que estão retidos numa gigantesca cumulus nimbus sobre sua cabeça.
Daí, Lira Lulou.
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